terça-feira, 30 de abril de 2013

Medo...



Acordei com medo de tudo. Embalada em choro, dormi quase nada.
E agora a manhã está muito escura. Eu não tinha medo. Agora eu tenho, de novo. Muito medo. Mas não há ninguém.
E mesmo os medos que eu havia superado estão de novo só me esperando na esquina.
Estou com muito medo.
Está muito frio.

Por que minha mente me controla desse jeito?...
Frio demais. Medo demais.
Medo do escuro, de uma figura assustadora que nem existe, medo de uma montagem dançando no ar, medo medo medo medo medo medo.

Não sei se estou tremendo de frio...

Eu tento segurar a mão de alguém mas...

medomedomedomedomedomedo...

Preciso ir trabalhar. Preciso acender todas as luzes.
Preciso me enrolar na minha cama e deixar o medo ir embora, mas não tenho tempo.
Mas não tenho um abraço pra me acalmar.
Não tenho nada.
Só medo e frio.

...
Não quero chorar mais, meus olhos doem, e figuras podem se formar na minha visão embaçada.

Socorro Deus. Estou sozinha.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Drama lúcido



Eu continuo me dizendo que é tudo drama, que eu não estou sentindo nada disso. Continuo me dizendo que estou sendo insensata, que não há necessidade disso. Me convenço que não estou sozinha, que tenho muitas pessoas para amar e que me ama de volta.

Eu me convenço de que essa solidão não existe. Me convenço que essas explosões de choro são algo vergonhoso (eu não sou mais uma criança, uma adolescente deprimida...) e deixo que a explosão passe do pico para abafá-la.


Dentro de mim tudo isso se contorce, se debatendo, como se prendendo à uma camisa de força interna. É como aquele pesadelo recorrente que eu tinha quando criança: várias vozes me dizendo o que fazer, risadas me colocando no meu lugar e eu no centro. - Hoje entendo que todas elas são eu mesma e não os outros - e isso se repete com certa frequência.

Eu engulo tudo. Otimismo
sempre, tudo vai dar certo, não há razão pra isso. Eu sei que vou ficar perfeitamente bem independente do que aconteça.

Mas é como se eu tivesse descoberto uma nova forma de suicídio - engraçado ver meu corpo reagir à isso, ele dói em partes aleatórias e fica mais travado, como se eu não pudesse me mexer. Talvez pra me proteger de novo, pensar que eu nunca vou conseguir me matar me dá uma sensação de uma imensidão vazia e quietude barata - e eu vou seguindo como se estivesse carregando um bebê morto no meu peito, que fedido e decrépito se debate só pra me lembrar que está lá, me infectando e me levando pro abismo junto dele. Risadas e risadas.

Mas mesmo com meus demônios eu me sinto sozinha.
Quer dizer, eu continuo fazendo drama.

Preciso sair pra uma reunião agora.
Preciso sair desse lugar! Quero ir embora! Qual foi a última vez que eu tive um lar além de dentro de mim?? E mesmo lá agora não vale nada. é como uma Nárnia infernal que agora só tem campos de destruição e fedor. Eu tenho o poder de destruir tudo em mim que é belo e me salva. Eu amo esse ar moribundo, é a única coisa que sobrou.

Eu odeio todos que me amam. Por que estou tão sozinha se não é real? Alguém me tire daqui! Me ponha em paredes sólidas onde eu não possa ver nenhuma sombra se esgueirando, imagem de mim mesma, e tentando me esganar!

E quem salvaria uma dramática como eu? Tenho nojo de quem tentar.